Vou deixar este texto do Minuchin que traz de forma simples e profunda uma reflexão sobre os relacionamentos...
Existe uma canção a ser cantada em nossa cultura: a canção dos ritmos dos relacionamentos, das pessoas enriquecendo-se e expandindo-se mutuamente.
Nós nascemos com a capacidade para a colaboração, acomodação e mutualidade. Todos os recém – nascidos vêm equipados com uma receptividade bem sintonizada com o som e voz da mãe e o ritmo de seus movimentos. A mãe e a criança se definem mutuamente em milhões de pequenos atos com a precisão de uma reação química. Esta é a silenciosa canção da vida.
Mas este processo precisa ser destacado na nossa cultura, porque em geral o que percebemos são as discordâncias, as diferenças. Nós nos detemos nas desigualdades e não prestamos atenção aos padrões que tornam possível a vida familiar, às harmonias que não valorizamos.
A nossa sociedade é uma sociedade que celebra a singularidade do individual e a busca do self autônomo.
A marca registrada da terapia familiar é tratar ao mesmo tempo da individualidade e das conexões. Quando os membros da família param de dar ênfase ao comportamento frustrante dos outros e começam a ver a si mesmos como interligados, eles descobrem novas opções de relacionamento.
O terapeuta familiar pode navegar entre o reino da individualidade e das conexões, da unidade familiar. Os membros da família com sua longa história em comum, reconhecem que vivendo juntos eles ao mesmo tempo limitam e enriquecem um ao outro. A vida na família realmente limita nossa liberdade, mas também oferece um inesgotável potencial de felicidade e realização pessoal.
Isso implica em aceitar as possibilidades e limitações em si mesmo e nos outros. Tolerar incertezas e diferenças. Esperança de novas maneiras de viver junto. Esta é a canção que nossa sociedade precisa ouvir : a canção do eu-e-você, a canção da pessoa no contexto, responsável perante os outros e pelos outros.
Para ouvi-la precisamos ter a coragem de renunciar à ilusão do self (eu) autônomo e aceitar as limitações do pertencer.
MINUCHIN, Salvador, NICHOLS, Michael. A cura da família – história de esperança e renovação contada pela terapia familiar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993. p.268.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Curso - Dependência Química: Recursos Terapeuticos
A Dependência química tem sido alvo de preocupação de diversos setores da sociedade, família, escolas e empresas se deparam com situações que exigem conhecimentos atualizados e eficazes. Uma das dificuldades enfrentadas é falta de profissionais qualificados para atender a demanda que cresce constantemente. Diante desta necessidade a Assessoria e Consultoria - Isabela A.Toffoli & Poliane M. Gomes parceria com a Faculdade Católica de Anápolis oferecem o curso de extensão:
Dependência Química:
Recursos Terapêuticos.
Público Alvo:
Alunos de graduação e pós-graduação. Profissionais que trabalham na área de prevenção, tratamentos e pós-tratamentos, agentes comunitários/saúde e pessoas interessadas no tema. Não há exigência de ter concluído nível superior.
Objetivo:
Fornecer noções básicas sobre os recursos terapêuticos existentes para os problemas relacionados ao uso indevido de drogas.
Disciplinas:
1. Acolhimento e Entrevista motivacional
2. Intervenção em Crise
3. Redução de Danos e Intervenção Breve
4. Terapia Congnitivo-Comportamental
5. Comorbidades relacionadas à Dependência Química
6. Reabilitação Psicossocial
7. Terapia Comunitária e Atividades Alternativas
8. Atendimentos às Famílias
Carga Horária: 60hs
Sábado: 08hs às 18hs
Investimento: 2x R$60,00
Aula Inaugural - Dia 28/08/2010
das 08hs às 11hs
Local: Faculdade Católica de Anápolis – Pós-Graduação
End: Rua Desembargador Vicente Miguel, nº 53, Bairro Jundiaí. (Acima do SESC) - Anápolis-GO
Informações: 3328-8910 / 8138-6104 / 8589-4653 / 8195-3272
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Mudanças
"Aceitar-me plenamente? É uma violentação de minha vida.
Cada mudança, cada projeto novo causa espanto: meu coração está espantado.
É por isso que toda minha palavra tem um coração onde circula sangue"
(Um sopro de vida) Clarice Lispector
Adorei essa poesia.
É importante que saibamos repensar a vida a cada dia, perceber os acontecimentos como um aprendizado, compreender as situações de forma crítica. Não uma crítica ao outro mas como uma possibilidade de perceber a nós mesmos e, principalmente, de sairmos do comodismo da aceitação...
Cada mudança, cada projeto novo causa espanto: meu coração está espantado.
É por isso que toda minha palavra tem um coração onde circula sangue"
(Um sopro de vida) Clarice Lispector
Adorei essa poesia.
É importante que saibamos repensar a vida a cada dia, perceber os acontecimentos como um aprendizado, compreender as situações de forma crítica. Não uma crítica ao outro mas como uma possibilidade de perceber a nós mesmos e, principalmente, de sairmos do comodismo da aceitação...
domingo, 30 de maio de 2010
Crack: foco na sociedade e não nas drogas
Faz tempo que não escrevo. Estava trabalhando, estudando, pesquisando e, principalmente, organizando ideias e projetos para um assunto que vem preocupando o País: o uso de crack. (Logico que fiz tudo isso com o apoio da equipe do CAPS Viver, do Juizado da Infancia e Juventude de Anapolis, da Associação Cruzada pela Dignidade, entre outros).
Ao pesquisar sobre o consultlorio de rua em Salvador, que é um dos pioneiros desse projeto no Brasil, li um artigo que falava de Antônio Nery Filho e tinha um link para o seu blog. O texto que li - O Crack é Feito com a Raspa do Chifre do Diabo - traz uma reflexão muito pertinente para esse momento de intensos debates sobre o crack.
Perdemos o foco do HUMANO e ficamos presos a "demonizar" essa droga. Esquecemos de buscar a compreensão no desamparo do homem, nas relações que se tornam cada vez mais frágeis e superficiais. Esquecemos que somos parte dessa sociedade, que são nossas atitudes que sustentam e reforçam esse desamparo e essas relações.
Buscar soluções para o uso do crack deveria ser, antes de mais nada, trazer a tona a nossa dimensão social, recuperar a compreensão de mundo que nos põe como parte do todo. Nery Filho disse em seu blog que o "alvo não deve ser as drogas, mas a sociedade". Concordo com ele, pois o momento no qual vivemos é fruto de uma sociedade individualista, que busca prazeres fúteis e passageiros afim de aliviar as angústias que são inerentes à condição humana e que não conseguem suportar. A mesma sociedade que cria esses valores é a que fecha os olhos quando a situação chega ao extremo, renegando a sua responsabilidade e delegando-a a uma droga!
Ao pesquisar sobre o consultlorio de rua em Salvador, que é um dos pioneiros desse projeto no Brasil, li um artigo que falava de Antônio Nery Filho e tinha um link para o seu blog. O texto que li - O Crack é Feito com a Raspa do Chifre do Diabo - traz uma reflexão muito pertinente para esse momento de intensos debates sobre o crack.
Perdemos o foco do HUMANO e ficamos presos a "demonizar" essa droga. Esquecemos de buscar a compreensão no desamparo do homem, nas relações que se tornam cada vez mais frágeis e superficiais. Esquecemos que somos parte dessa sociedade, que são nossas atitudes que sustentam e reforçam esse desamparo e essas relações.
Buscar soluções para o uso do crack deveria ser, antes de mais nada, trazer a tona a nossa dimensão social, recuperar a compreensão de mundo que nos põe como parte do todo. Nery Filho disse em seu blog que o "alvo não deve ser as drogas, mas a sociedade". Concordo com ele, pois o momento no qual vivemos é fruto de uma sociedade individualista, que busca prazeres fúteis e passageiros afim de aliviar as angústias que são inerentes à condição humana e que não conseguem suportar. A mesma sociedade que cria esses valores é a que fecha os olhos quando a situação chega ao extremo, renegando a sua responsabilidade e delegando-a a uma droga!
domingo, 25 de abril de 2010
Relatório Conferência de Saúde Mental
Fiquei um bom tempo sem postar nem uma mensagem, várias coisas acontecendo, fiquei sem tempo! Retorno agora.
Vários assuntos me chamaram a atenção e me instigam a escrever, porém vou escrever sobre a Conferência de Saúde Mental e depois falamos de outras coisas.
Debates e debates, situações constrangedoras e questionamentos sobre democracia. Isso resumiria a conferência!! (pelo menos para alguns). É preciso sair dessa "guerra" CAPS X HEP, muitas questões ficam sem soluções devido a disputa pelo poder.
Porém houve espaço para discussões produtivas. Muitas reivindicações reais, uma delas é a construção do CAPS III, necessidade urgente em tempos de Crack, precisamos de tratamento para a crise de abstinência, solicitação que espero que seja atendida!
Outro tema que apareceu bastante nas discussões foi o preparo técnico dos profissionais de base (agentes de saúde). Reivindicação: formação em Saúde Mental e Dependência Química para estes profissionais, que são importantíssimos para a prevenção.
Consolidar as redes sociais, fator relevante para o sucesso do tratamento em Saúde Mental, foi um outro assunto discutido nos grupos. Para isso é preciso aprender a dialogar, a compartilhar saberes e interesses, é preciso descentralizar o poder e permitir que cada um atue no que lhe é de direito. Acima de tudo é preciso enxergar, escutar, dar voz aos nossos usuarios, pacientes, clientes para que eles possam decidir o qual projeto terapeutico querem ou não sseguir!
Foram várias outras discussões, porém vou ficar só com essas. Caso queiram, estou com o relatório final da Conferência, me mande o e-mail que envio o material.
Agora expectativas para a Conferência Estadual de Saúde Mental...
Vários assuntos me chamaram a atenção e me instigam a escrever, porém vou escrever sobre a Conferência de Saúde Mental e depois falamos de outras coisas.
Debates e debates, situações constrangedoras e questionamentos sobre democracia. Isso resumiria a conferência!! (pelo menos para alguns). É preciso sair dessa "guerra" CAPS X HEP, muitas questões ficam sem soluções devido a disputa pelo poder.
Porém houve espaço para discussões produtivas. Muitas reivindicações reais, uma delas é a construção do CAPS III, necessidade urgente em tempos de Crack, precisamos de tratamento para a crise de abstinência, solicitação que espero que seja atendida!
Outro tema que apareceu bastante nas discussões foi o preparo técnico dos profissionais de base (agentes de saúde). Reivindicação: formação em Saúde Mental e Dependência Química para estes profissionais, que são importantíssimos para a prevenção.
Consolidar as redes sociais, fator relevante para o sucesso do tratamento em Saúde Mental, foi um outro assunto discutido nos grupos. Para isso é preciso aprender a dialogar, a compartilhar saberes e interesses, é preciso descentralizar o poder e permitir que cada um atue no que lhe é de direito. Acima de tudo é preciso enxergar, escutar, dar voz aos nossos usuarios, pacientes, clientes para que eles possam decidir o qual projeto terapeutico querem ou não sseguir!
Foram várias outras discussões, porém vou ficar só com essas. Caso queiram, estou com o relatório final da Conferência, me mande o e-mail que envio o material.
Agora expectativas para a Conferência Estadual de Saúde Mental...
quarta-feira, 31 de março de 2010
Conferência de Saúde Mental
Programação:
Dia 05/04/2010
13:00 - Inscrição e entrega de material
13:30 - Solenidade de abertura
14:00 - Leitura do Regimento Interno
14:30 - Conferência - " Saúde Mental direito e compromisso de todos: Consolidar avanços e enfrentar desafios."
15:30 - Lanche
15:45 - Mesa Redonda:
1. Saúde Mental e Políticas de Estado: pactuar caminhos intersetoriais
2. Consolidar a Rede de Atenção Psicossocial
3. Fortalecer os movimentos sociais
4. Direitos humanos e cidadania como desafio ético e intersetorial
16:30 - Debates
Dia 06/04/2010
08:00 - Café da manhã
08:30 - Formação dos grupos
08:45 - Oficinas temáticas
12:00 - Almoço
14:00 - Plenária
16:00 - Escolha dos delegados
16:30 - Encerramento
17:00 - Lanche
http://www.anapolis.go.gov.br/
sábado, 27 de março de 2010
Um novo olhar para a relação Família/Drogas
Estou participando de um curso on-line: "Curso Prevenção ao uso indevido de drogas: Capacitação para Conselheiros e Lideranças Comunitárias". Nos fóruns de discussões um assunto que aparece com frequência é a relação Familia e Dependência Química. Alguns discutem qual a postura que a família tem que ter; outros a relação de Co-Dependência; além disso, questionam se a familía é vitima ou culpada. Diante dessas, dúvidas me senti instigada a falar sobre o tema.
Vou utilizar como base para meu texto uma resposta que dei a um dos forúns e fazer alguns recortes do meu artigo (Resignificando a Dependência Química no Contexto Familiar) de conclusão do curso de Terapia de Casal e Familia:
A família pode tanto ser o algoz e/ou a vitima. É esse olhar que precisamos ter ao tratar a dependência química, pois esta é uma junção de vários fatores, por isso é necessario ampliar o foco, sair do senso comum, questionar, não permitir respostas lineares (x causa y).
A compreensão da Dependência Química (DQ) vem se modificando ao longo da história. O uso de drogas existe desde a antiguidade sendo utilizada de diferentes formas e para fins distintos conforme a cultura do local e da época.
A dependência química já foi vista como um problema espiritual, o que isentava o drogadicto e sua família de qualquer responsabilidade; já foi considerada uma questão moral, o dependente era um marginal e as suas famílias eram consideradas vítimas. Já foi entendida como doença, em 1966, pela Associação Médica Americana, a DQ era, então, tratada apenas na perspectiva médica. Atualmente a dependência é compreendida como um "fenômeno multifatorial”.
O grande desafio, então, para quem trabalha com o usuário de droga é a compreensão de todo o contexto em que ele está inserido, é aprender a não culpar ou vitimizar. Essa nova perspectiva da dependência química traz consigo uma co-responsabilização de todos os sistemas que o usuário de drogas está envolvido e, assim, não isenta a si mesmo e nem a sua família.
Trazer a família para participar do tratamento tem sido em minha experiência um desafio gratificante. É muito fácil perceber as dificuldades, as resistências e os comportamentos facilitadores da família. Quase sempre a família e o usuário apresentam demandas diferentes para o tratamento. Desta forma a atuação do profissional diante da drogadição deve ser de compreender a demanda para o atendimento e enxergar as possibilidades de mudanças existentes na família.
É preciso descobrir SAÚDE na família, compreender qual o sentido da droga para aquele contexto familiar e aceitar que existem várias "verdades", enxergar o significado individual da droga, o que ela deseperta em cada um da familia, dar voz para os medos e as fantasias, quando isso acontece o resultado é surpreendente, passam a compreender o que chamamos de co-responsabilidade!
A família, sem dúvida, precisa ser cuidada, tratada e compreendida.
Vou deixar algumas dicas de livro sobre a co-dependência:
Co-Dependência Nunca Mais e Para Além da Co-Dependêcia
(ambos de Melody Beattie ED. Record)
Codependência - o Transtorno e a Intervenção em Rede
(Maria Aparecida Junqueira Zampieri - ED. Ágora)
Vou utilizar como base para meu texto uma resposta que dei a um dos forúns e fazer alguns recortes do meu artigo (Resignificando a Dependência Química no Contexto Familiar) de conclusão do curso de Terapia de Casal e Familia:
A família pode tanto ser o algoz e/ou a vitima. É esse olhar que precisamos ter ao tratar a dependência química, pois esta é uma junção de vários fatores, por isso é necessario ampliar o foco, sair do senso comum, questionar, não permitir respostas lineares (x causa y).
A compreensão da Dependência Química (DQ) vem se modificando ao longo da história. O uso de drogas existe desde a antiguidade sendo utilizada de diferentes formas e para fins distintos conforme a cultura do local e da época.
A dependência química já foi vista como um problema espiritual, o que isentava o drogadicto e sua família de qualquer responsabilidade; já foi considerada uma questão moral, o dependente era um marginal e as suas famílias eram consideradas vítimas. Já foi entendida como doença, em 1966, pela Associação Médica Americana, a DQ era, então, tratada apenas na perspectiva médica. Atualmente a dependência é compreendida como um "fenômeno multifatorial”.
O grande desafio, então, para quem trabalha com o usuário de droga é a compreensão de todo o contexto em que ele está inserido, é aprender a não culpar ou vitimizar. Essa nova perspectiva da dependência química traz consigo uma co-responsabilização de todos os sistemas que o usuário de drogas está envolvido e, assim, não isenta a si mesmo e nem a sua família.
Trazer a família para participar do tratamento tem sido em minha experiência um desafio gratificante. É muito fácil perceber as dificuldades, as resistências e os comportamentos facilitadores da família. Quase sempre a família e o usuário apresentam demandas diferentes para o tratamento. Desta forma a atuação do profissional diante da drogadição deve ser de compreender a demanda para o atendimento e enxergar as possibilidades de mudanças existentes na família.
É preciso descobrir SAÚDE na família, compreender qual o sentido da droga para aquele contexto familiar e aceitar que existem várias "verdades", enxergar o significado individual da droga, o que ela deseperta em cada um da familia, dar voz para os medos e as fantasias, quando isso acontece o resultado é surpreendente, passam a compreender o que chamamos de co-responsabilidade!
A família, sem dúvida, precisa ser cuidada, tratada e compreendida.
Vou deixar algumas dicas de livro sobre a co-dependência:
Co-Dependência Nunca Mais e Para Além da Co-Dependêcia
(ambos de Melody Beattie ED. Record)
Codependência - o Transtorno e a Intervenção em Rede
(Maria Aparecida Junqueira Zampieri - ED. Ágora)
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